A comovente e corajosa história da família Whittington

 

Se o mundo tivesse mais pessoas como os pais dele, esforçados tentando ajudar, entender e aceitar seus filhos, as pessoas seriam mais felizes de verdade, mais livres e honestas, com elas mesmas e com o mundo.

Eu acredito que o preconceito e a discriminação só continuam existindo porque as crianças continuam aprendendo com os adultos. Uma criança não chama a outra de “feia”, “gorda”, “magrela” ou qualquer outra coisa; uma criança não se importa com o peso, raça ou altura de quem está brincando com ela, até o momento que alguém nomeie alguma característica à ela, pior ainda, de forma pejorativa. E quem ensina essas coisas?!

As vezes eu escuto o BELÍSSIMO ARGUMENTO “mas como eu vou explicar isso aos meus filhos??” Eu já cansei de ouvir isso de adultos mais maduros, como dos mais jovens, o que me deixa ainda mais triste, porque da pra ver que esse jovem absorveu direitinho o preconceito dos mais velhos sem ao menos tentar refletir a respeito, sobre o mundo de hoje… que belo ensinamento a se passar adiante! Entendo que em tempos mais antigos as coisas eram diferentes, pessoas nem sequer questionavam muitas coisas que aconteciam – como até hoje acontece, e um terrível exemplo disso é a cultura do estupro. Mas as coisas mudam, temos cérebro pra pensar, refletir e questionar sobre esse mundo tão grande e diversificado, e tudo o que acontece nele!

Um dia eu ouvi o comediante Louis C. K. dizer (não estou conseguindo linkar o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=foGE4lvcD1c) “se o seu filho não consegue entender isso, o problema é dele, mas por causa disso os gays não podem ser felizes?” Acho que o que ele disse faz sentido.

Só pra esclarecer, já que muitas pessoas confundem as terminologias e pensam que se trata tudo da mesma coisa: Não é porque um cara tem um jeito mais afeminado que ele é gay, assim como não é porque uma mulher tem um jeito mais masculino que ela é gay. GAY é uma pessoa que reconhece e aceita o próprio gênero, mas sente atração pelo mesmo sexo. Não é porque um homem é gay que ele vai querer se vestir de mulher; e não é porque uma mulher é gay que ela vai querer se vestir de forma totalmente masculina. Pode acontecer, não é raro, mas também não é uma regra. Matthew Bomer e Amber Heard são apenas alguns exemplos. Não é o caso do menino Ryland, ele  é Transgênero, nunca se reconheceu como uma menina, então não, ele NÃO é gay, a não ser que no futuro ele sinta vontade de se relacionar com homens. E ele também não é um Transsexual, a não ser que faça mudanças cirúrgicas/hormonais no seu corpo pra que fique o mais semelhante possível ao de um homem.

Ryland ainda vai ter muito o que superar, como mudanças corporais, reposição hormonal e possíveis cirurgias, mas se é o que ele precisa pra ser feliz, que seja assim. Tenho certeza de que ele vai ter o maior apoio das pessoas que o amam de verdade, e torço pra que ele tenha a vida mais normal possível, como desejo pra todas as pessoas que lutam pelos direitos de viver sua vida de forma digna e feliz.

Já me perguntaram o que a psicologia diz sobre isso. A psicologia estuda esse fenômeno assim como a genética, e todas chegaram a conclusão de que há muitas variáveis e fatores genéticos, hormonais, ambientais, sociais… E isso sempre gera MUITA discussão, mas fato é que a psicologia considera os gays, transgêneros, transexuais etc simplesmente como HUMANOS, só isso. A psicologia NÃO considera a homossexualidade uma “doença” do ser humano,  e sim uma “condição”, presente também em TODAS as espécies de animais, sociedades, culturas e épocas. Não é homossexualISMO porque NÃO é doença, é uma CONDIÇÃO, por isso é correto dizer homossexualiDADE. Não existe “cura gay”, apenas pessoas que acreditam em lavagem cerebral, e essas sim, precisam de cura.

Uma pessoa ou animal não nasce pensando “hmm acho que vou ser hétero” ou “hmm acho que vou ser gay”. NÃO, ninguém escolhe isso, NÃO É UMA OPÇÃO, é muito errado achar que isso é uma “opção sexual”! Tenho certeza que Ryland e tantos outros apenas são o que são logo que tem consciência de ser um ser humano pensante, não entendem porquê nasceram “erradas” e sofrem quando não compreendidos e aceitos.

Eu acredito que por muitos e muitos anos o preconceito e a discriminação ainda irão existir, ainda vão ser passados pras próximas gerações; mas eu também acredito que quanto mais pessoas se conscientizarem de que todos nós somos apenas “cascas”, e somos todos iguais por dentro, aprendendo ainda a ser a melhor versão que podemos ser de nós mesmos, apenas tentando viver nossas vidas sem prejudicar o próximo e ser feliz, uma sociedade mais justa vai se erguer, a violência vai diminuir, e as pessoas serão genuinamente felizes, sem se incomodar com a vida das outras. E nesse dia, importa se você é branco, negro, amarelo ou vermelho, homem ou mulher, se você sente atração por homem ou mulher? Tem coisas mais importantes na vida pra gastar tanta energia se incomodando, como ainda ter um planeta saudável pra poder viver, não apenas sobreviver! E se alguém não gosta e não aceita o que você é, como algumas pessoas próximas da família Whittington, que se afastaram, você não perde nada, com gente assim por perto, não da pra ser feliz de verdade.

Que tal tentar apenas ser feliz, como Ryland é? 🙂

ryland-whittington

ass bruna foto

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Uma resposta para A comovente e corajosa história da família Whittington

  1. joanavk disse:

    Muito bem dito. Todo mundo tem o DIREITO de buscar sua felicidade pessoal, e eu não consigo entender o que passa na cabeça de uma pessoa que discrimina alguém diferente, que na maioria dos casos nem é uma pessoa de relacionamento próximo…
    Essas pessoas acham que tem que tipo de poder? Pra apontar o dedo na cara dos outros e dizer “você está vivendo a sua vida errado!”, e as vezes ainda “por isso você vai apanhar agora, e quem sabe eu bata tanto em você, e chute tanto você, que você vai morrer antes do socorro chegar..” – Alguém me ajude a entender isso, por favor??
    QUEM DECIDIU que essas pessoas tem esse poder de julgamento? (e de condenação? nos casos de violência…). Quem decidiu que eles tem o poder de CONDENAR a sua felicidade?
    Acho do direito de cada um achar um comportamento diferente assim como algo estranho à sua natureza, acho do direito de cada um dizer “não estou acostumado a isso”, “não consigo entender o que passa com eles”, porque até aí ok. O diferente nos é estranho mesmo, e cada um precisa do seu tempo pra acostumar a conviver num mundo assim, cheio de diversidade, de forma natural. Ou seja, eu não sou da opinião que todo mundo tem que aceitar isso como uma regra e ponto. Mas acredito no respeito acima de tudo. Não tolera? Ok, vamos conversar sobre isso…
    Qual a dificuldade de entender que o amor pode se manifestar de formas variadas? E qual a dificuldade de entender que as vezes a gente pode vir com uma pecinha trocada de fábrica? Ué?! Coisa mais normal do mundo, acontece e as vezes a gente vem com uns “defeitos” genéticos que acabamos achando charmosos ou agradáveis**… porque temos que condenar outros?

    ** Como as covinhas nas bochechas. Ou ainda como a atriz Kate Bosworth que tem um olho de cada cor..e é sensação devido a isso. Alterações que escapam ao planejamento de fábrica acontecem. Não há como evitá-los, isso não esta sob nosso controle. Mas está sob o nosso controle mudar a cultura que condena uns e aceita outros… está no nosso controle decidir que a partir de agora vamos nos esforçar pra compreender tudo e buscar aceitar ou pelo menos lidar de uma forma mais positiva frente a isso.

    Está sob nosso controle permitir que o direito de cada um buscar sua felicidade pessoal seja preservado.

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